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Pensamentos Obsessivos como alterações
do Conteúdo do Pensamento são determinadas idéias
de caráter obrigatório e impositivas ao indivíduo,
independente de sua vontade, mesmo sendo contrárias aos argumentos
de sua lógica e de seu juízo. No Transtorno Obsessivo-Compulsivo
essas impulsos obsessivos, e conseqüentes compulsões delas
decorrentes, são suficientemente intensas para causar sofrimento
acentuado, consumir tempo, interferir significativamente na rotina normal
da pessoa, no funcionamento ocupacional ou nas atividades e relacionamentos
sociais.
As compulsões são comportamentos repetitivos e intencionais
(apesar de quase involuntários) desempenhados em resposta à
"Idéia Obsessiva" e com a finalidade de prevenir o
desconforto de um suposto acontecimento terrível. Os atos compulsivos
são ritualísticos, estereotipados e absurdos e, caso não
sejam realizados à contento, a ansiedade acoplada à idéia
obsessiva acerca de algum provável acontecimento desagradável
passa a incomodar muito o paciente. Normalmente tais atos compulsivos
envolvem atitudes de higiene, como por exemplo, lavar as mãos,
limpar coisas metodicamente, ou atitudes de contar, conferir, arrumar.
Outras vezes, implicam em tocar ou olhar objetos de maneira ritualística.
Um pai zeloso pode, por exemplo, apresentar idéias obsessivas
sobre a possibilidade de um descontrole emocional que o levasse a matar
seus filhos. Um religioso pode surpreender-se com idéias obsessivas
de pensamentos obscenos e degradantes com os santos de sua devoção,
outros podem experimentar a incômoda idéia de estarem sendo
contaminados com vírus e bactérias letais, ou ainda, quando
em edifícios altos, poderiam ter idéias obsessivas sobre
perder o controle e saltar pela janela. Na tentativa de alívio
da ansiedade provocada por estes pensamentos infames e bizarros os mais
variados comportamentos compulsivos são idealizados.
Não se trata aqui do Transtorno Obsessivo da Personalidade, como
uma maneira metódica, insegura e ritualística de se relacionar
com a realidade. Como distúrbio da personalidade, o tipo obsessivo-compulsivo
da personalidade (ou anancástico) não caracteriza ainda
um estado mórbido, ou seja, não proporciona ainda sofrimento
ou comprometimento significativo na vida de relação ou
na capacidade ocupacional. No "Transtorno Obsessivo-Compulsivo
Franco (Neurose)" já deve haver alguma inibição
da conduta social, conforme apregoa a definição das neuroses.
Acompanhando a manifestação central ou a idéia
obsessiva desse transtorno, deve haver sempre um sentimento de medo
e ansiedade. Tal sentimento desagradável freqüentemente
leva a pessoa a tomar medidas contra a idéia ou impulso inicial,
gerando assim o ato compulsivo ou compulsão. No distúrbio
da Personalidade "do mesmo nome" isso não acontece
e a pessoa é concordante com sua maneira metódica e organizada
de ser. Observamos ainda, no Transtorno Obsessivo-Compulsivo, o reconhecimento
por parte do paciente, do absurdo e da irracionalidade de suas idéias
e de seus atos compulsivos bem como da impossibilidade de combatê-los.
Estes fatos, por si só, já são suficientes para
proporcionar grande ansiedade.
Kaplan delimita quatro padrões sintomáticos principais
no Transtorno Obsessivo-Compulsivo pela ordem de freqüência
e que, de fato, constatamos na prática clínica quotidiana:
1. Obsessão de contaminação,
seguida de banhos ou da higiene das mãos. O objeto temido é
difícil de evitar, como o pensamento sobre urina, fezes, contaminação
microbiana, feridas, doenças, sujeira em geral e a compulsão
envolve banhos e limpeza. Tais pacientes podem auto-produzir escoriações
pela forma exagerada com que se lavam e escravizam-se pelo ritual absolutamente
rígido do ato de limpeza. Este é o padrão sintomático
mais comum.
2. A obsessão da dúvida seguida da compulsão para
verificação é o segundo tipo mais encontradiço.
A obsessão de ter negligenciado a prevenção do
perigo, como por exemplo, ter deixado o gás aberto, o ferro de
passar ligado, a porta da frente destrancada, a torneira aberta, as
gavetas e portas semi-abertas, etc., determina complicados mecanismos
de verificação e reverificação obrigando
o paciente a voltar várias vezes ao mesmo local. Várias
são as situações onde o indivíduo obsessivo
é incomodado por sentimentos de culpa por ter negligenciado alguma
coisa, daí a falsa impressão do perfeccionismo e meticulosidade.
3. Em terceiro lugar vem os pensamentos obsessivos meramente invasivos
de temática extremamente variável; pensamentos libidinosos
e obscenos dirigidos à objetos de veneração e respeito
(santos, mãe, crianças, filhos), agressões que
o indivíduo considera condenável. Por ter consciência
destes pérfidos pensamentos habitando o seu psiquismo. A ansiedade
experimentada chega a ser insuportável.
4. A lentidão obsessiva ou pensamento persistente de criteriosa
meticulosidade na execução das atividades corriqueiras
transformando cada atividade cotidiana numa verdadeira liturgia de perfeição
e ordem. As coisas têm que ser feitas "assim ou assado"
e, na dúvida de terem saído imperfeitas são meticulosamente
repetidas. As tarefas do dia-a-dia tornam-se demasiadamente complexas
e cansativas.
Etiologicamente uma variedade de anormalidades
biológicas têm sido associadas ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo.
Nascimentos traumáticos sugerindo papel importante de um sofrimento
cerebral precoce comumente fazem parte da história de tais pacientes.
Há também, por outro lado, uma concordância significativa
entre a ocorrência de sintomas obsessivo-compulsivos e a epilepsia
do lobo temporal, bem como o aumento de atividade metabólica
no giro orbital esquerdo, constatado pela tomografia por emissão
de pósitrons nos pacientes diagnosticados como obsessivo-compulsivos.
Recentemente as pesquisas genéticas têm apontado para uma
alteração cromossômica envolvida nessa questão.
A depressão é um achado muito significativo nos obsessivos
e esta ocorrência, juntamente com a melhora do quadro através
dos antidepressivos sugerem, no mínimo, alguma semelhança
bioquímica entre estes distúrbios. Entretanto, até
o momento nenhuma das teorias etiológicas podem ser definitivamente
confirmadas como verdadeiras.
Mais de 50% dos pacientes desenvolvem os sintomas deste Transtorno antes
dos 24 anos e mais de 80% antes dos 35 anos. A maioria deles protela
a busca de auxílio médico devido à sensação
vexatória em ter de confessar suas idéias inusitadas para
alguém e, além disso, devido à esperança
de que possa conseguir um autocontrole e fazer desaparecer a obsessão.
A doença é crônica e seu prognóstico não
é dos melhores. Há trabalhos atestando que 20 a 40% dos
pacientes não obtém melhora apesar do tratamento médico,
40 a 50% tem melhora moderada e apenas 20 a 30% melhoram significativamente.
O bom ajustamento social e profissional ajuda a melhorar o prognóstico.
Há casos onde a internação é necessária,
principalmente quando o paciente submete-se totalmente às compulsões
ao invés de resistir à elas.
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